sexta-feira, 18 de abril de 2008




Todos os dias
devíamos ouvir um pouco de música,
ler uma boa poesia,
ver um quadro bonito
e, se possível,
dizer algumas palavras sensatas.
(Goethe)

Leilão de jardim



Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?

Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

(Este é o meu leilão.)

Cecília Meireles



"Quando uma sociedade deixa matar as crianças é porque começou seu
suicídio como sociedade. Quando não as ama é porque deixou de se
reconhecer como humanidade."
(Herbert de Souza - Betinho)

Inventa a eternidade na simples comoção de olhar uma estrela.
Basta que a olhes pela primeira vez,
depois de a teres olhado inúmeras vezes.
E, então, não precisarás de nenhum Deus
que te ponha a mão no ombro e diga "estou aqui".
Uma estrela espera-te desde toda a eternidade.
Procura-a.
E vê se a não perdes durante a vida inteira.
A tua estrela pode não estar no céu.
Põe-na lá.
(Vergilio Ferreira)

Meu coração é como a boca, fala.
Só tu entendes tudo o que ele diz.
A palavra que é doce e que te embala,
que te agasalha e que te faz feliz.
Basta que para ouvires o que eu digo
apertes teu ouvido no meu peito:
meu coração irá falar contigo,
como se a boca é que o tivesse feito.
(Théo Drummond)

Outono...

Se deste outono uma folha,
apenas uma, se desprendesse
da sua cabeleira ruiva,
sonolenta,
e sobre ela a mão
com o azul do ar escrevesse
um nome, somente um nome,
seria o mais aéreo
de quantos tem a terra,
a terra quente e tão avara
de alegria.
(Eugénio de Andrade)



Andrzej MALINOWSKI

Menina


Não precisa ficar com ódio até crescer, quando ele abrir a porta e com mãos adultas esmagar seus sonhos de criança, haverá no gesto delas o desespero de um adulto tentando abrir com força uma caixinha de música, que nunca mais tocou ao seu coração rude. Não vê como bravo, ele está triste, procurando a infância dentro de você? Não vê como os seus braços, violentos, apertam tanto, tanto... querendo abraçar? Não vê como seus olhos duros estão querendo chorar? Vem, moço, vem brincar no balanço e no gira-gira. Vem ver a pequenina bailarina rodar.


Rita Apoena

Bom dia!