quarta-feira, 17 de novembro de 2010

NÉCTAR DE AFRODITE

Ingredientes
8 filés de peito de frango
2 colheres de sopa de farinha de trigo
2 ovos
200 gramas de castanha de caju, tostadas e picadas
3 mangas(rosa) fatiadas
manteiga, sal e pimenta do reino a gosto
Modo de fazer
Tempere os filés de frango com sal e pimenta do reino.
Depois passe-os na farinha de trigo e, em seguida, nos ovos batidos e nas castanhas picadas.
Se for necessário, use mais farinha, ovos e castanhas para empanar os filés.
Frite-os na manteiga, tendo cuidado de doura-los uniformemente.
Retire os filés da frigideira e mantenha-os quentes.
Passe as fatias de manga na frigideira que já foi utlizada para a fritura dos filés,
mas, apenas ligeiramente, só para esquentá-las.
Arrume os filés numa travessa bem bonita e coloque as fatias de manga sobre eles.

MODO DE INSINUAR
No terceiro dia de lua cheia, Vera costumava preparar esse prato para o amado.
Dizia que ele tinha o dom de jorrar os líquidos do amante e transforma-lo num bichano ávido por carícias.
Antes de servi-lo, ela o incrementava com um delicado ritual.
Enchia uma enorme bacia prateada com água, uma xícara de chá de mel e dois litros de leite de cabra.
Depois se banhava com esta mistura, perfumava-se com água de laranjeira e vestia um vestido cor-de-rosa.
Calçava suas sandálias e depois colocava os filés numa marmita.
Saía rebolando o mar nas ancas, deixando no ar um cheiro de maresia.
Só voltava no dia seguinte.
Dessa vez, trazendo o aroma de uma mangueira em flor...
Decore o ambiente com flores de laranjeira
(se não as conseguir, substitua-as por óleo essencial de flor de laranjeira),
rosas rosadas e velas brancas.
Espalhe mangas e rosas sobre a mesa e, se tiver a sorte de consegui-los,
jante ao som dos discos de Carlos Gardel.


livro de Márcia Frazão, amor se faz na cozinha


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Boa noite!

Diz a lenda que o poeta
Li Po
afogou-se na noite em que
embriagado
quis agarrar a Lua
sobre o lago.
É lenda, bem se vê.
Pois a verdade é que
a Lua
teria seguido o poeta
a qualquer canto
se ele apenas a tivesse chamado.


Marina Colassanti
Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu, por que eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando
Pela mão

Íamos tontos os dois assim ao léu
Ríamos, chorávamos sem razão
Hoje, lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu

Porque era ela
Porque era eu



Chico Buarque

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

VITRAIS


Teus olhos... Descanso, silêncio,
repouso, remanso.
Amplitude e mormaço, atitude,
abraço.
Dois astros, igual farol no espaço,
feixes de luz que enganam o mar
e imitam o sol, enfeitando minha
saudade, adornando meu cansaço.
Teus olhos... Vitrais que se lavam
com as chuvas de março, e
limpam-se do barro nos azuis de
Picasso.
Rebentam no peito represas de
luz, inundam minha foz, falam
minha voz, com força potente
e veloz...
Mas, me condenam à cruz.

O.vasconcelos
Anotar na agenda mental: Pegar as pedras fortemente, apertá-las contra o peito, comprimir a cabeça e o corpo inteiro contra as árvores, pisar descalço na terra, colocar balas e doces (sempre em número ímpar) ao pé das árvores grandes para os duendes e devas e erês comerem e ficarem teus amigos, deixar na cabeceira toda noite copos de água com acúcar para as fadas virem beber de madrugada. Acender velas para chamar LUZ, jogar rosas amarelas nas águas dos rios para Oxum. Coisas assim: ritualizar, para dialogar com O Mistério. Para que ele te/nos proteja. Coisas claras, panos brancos, incensos e flores. Purificar, purificar o que na essência da nossa condição humana é pura e medonha treva de desconhecimento de todos os porquês.

Caio.F.Abreu


Que mistério o sorriso...
Enigma de mil cores que pinta por dentro e por fora a emoção.
Muito mais que a ternura ou embevecimento
de quem olha e ousa sorrir ao sorriso do outro.
Muito mais que a expressão da face levemente
subida e pendurada nas maçãs do rosto.
Muito mais que aquilo que se faz sentir
é aquilo que se sente.
Não no sorriso da boca,
no sorriso dos olhos...

...as suas almas beijaram-se com os olhos,
ambos não eram mais do que um único beijo.

(Heinrich Heine)

Sozinho, em meu esconderijo, convido-o e convido
aos outros para entrarem em meu quintal.
Há alguma sujeira que, de vez em quando, limpo.
Quando não limpo é porque não percebo, ou percebo e tenho preguiça.
Mas quando recebo visitas minha chama se acende ainda mais.
E a felicidade de acolher me dá nova disposição.
Trazem-me lenha os que me amam.'... '
Se quiser convidar outros amigos e seus medos, podem vir.
Podem vir as esperanças deles também.'... '
Há bastante espaço e bastante tempo para prosas e poesias.
E tem mais, a flor rara da montanha distante
resolveu morar por aqui.
Ela é linda!


-Gabriel Chalita-
Quando você vier haverá o encontro
da sua busca com a minha espera.
E o seu abraço será a moldura do meu corpo.
E a minha boca o pretexto
para o seu mais demorado beijo.
E a gente vai brincar de se desmaterializar
dentro da música, de desatar auroras.

E eu vou inventar uma madrugada eterna
pra quando você tiver que ir embora no dia seguinte.
E você vai inventar um domingo que vai durar pra
sempre porque tenho preguiça das segundas-feiras.

E a gente vai rir dessa maldade da demora do tempo
pra fazer essa brincadeira de desencontro:
Quase nos deixou descrentes...
A gente vai rir dessa maldade porque o nosso amor
será a coisa mais bonitinha do mundo..

¬ Marla de Queiroz ¬

domingo, 14 de novembro de 2010

Ti fofooooooooo

Andavam de noite


Andavam de noite aos segredos
Só porque era noite...
Os bosques enchiam de medos
Quem quer que se afoite...


Diziam [?] palavras que pesam [?]
À sombra de alguém...
Ninguém os conhece, e passam...
Não eram ninguém...


Fica só na aragem e na ânsia
Saudade a fingir...
Foi como se fora distância...
Eu torno a dormir.

Fernando Pessoa