terça-feira, 28 de junho de 2011



Duas irmãs solteironas
vivem juntas
com uma gata
que nunca deixam sair
uma das irmãs casa
a outra pede-lhe
uma carta
a relatar pormenorizadamente
a noite de núpcias
a outra manda-lhe
um telegrama
"mana, solta a gata"


Adília Lopes

Tão sutilmente em tantos breves anos



Tão sutilmente em tantos breves anos
foram se trocando sobre os muros
mais que desigualdades, semelhanças,
que aos poucos dois são um, sem que no entanto
deixem de ser plurais:
talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.
Presenças, solidões que vão tecendo a vida,
o filho que se faz, uma árvore plantada,
o tempo gotejando do telhado.
Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe
o pó de um cotidiano desencanto.

Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos
que uma em outra pode se trocar,
sem que alguém de fora o percebesse nunca.

Lya Luft


"O que é a vida se o homem não pode
mais ouvir o canto dos pássaros?
O que seria a vida sem os animais?
Se os animais se fossem, o homem morreria
de uma grande solidão de espírito".

(Chefe Seatle)


Con ríos
Con sangre
Con lluvia
O rocío
Con semen
Con vino
Con nieve
Con llanto
Los poemas
Suenen
Ser
Papel mojado



Mario Benedetti

Bom dia com Friooooooo

segunda-feira, 27 de junho de 2011

domingo, 26 de junho de 2011



"ninguém me canta
como você
ninguém me encanta
como você
nem me vê
do jeito
que só você
de que adianta
ter olhos
e não saber ver
ter voz
mas não ter o que dizer
digam o que disserem
façam o que quiserem
ninguém diz
ninguém vê
ninguém faz
como você
ninguém me canta
ninguém me encanta
como você."

alice ruiz

p.s: eu te amo.

"afinal toda palavra é, aqui, um pequeno gesto de amor."

p. leminski

"... Já não sabia o que era sentir falta de alguém,
já não sabia o que era querer ver um rosto
e não conseguir respirar por causa disso,
sabia como era sentir,
mas não sabia o que sentia de fato."

¬ José Luis Peixoto ¬

Simplicidade


Queria, queria
Ter a singeleza
Das vidas sem alma
E a lúcida calma
Da matéria presa.

Queria, queria
Ser igual ao peixe
Que livre nas águas
Se mexe;

Ser igual em som,
Ser igual em graça
Ao pássaro leve,
Que esvoaça...

Tudo isso eu queria!
(Ser fraco é ser forte).
Queria viver
E depois morrer
Sem nunca aprender
A gostar da morte.

Pedro Homem de Mello, in "Estrela Morta"

"Não foi nada. Deu saudade, só isso.
De repente, me deu tanta saudade."

(Caio F. Abreu)





Cerejas, brancas,vermelhas
espalhadas pelos caminhos
sois os brincos das orelhas
das filhas dos pobrezinhos

poesia popular