quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Hummmmmmm


"Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
e que nele posso navegar sem rumo,
não respondas
às urgentes perguntas
que te fiz.
Deixa-me ser feliz
assim,
já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer enquanto
o nosso amor
durou.
Mas o tempo passou,
há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
matar a sede com água salgada..."
(Miguel Torga)

As minhas mãos mantêm as estrelas,
Seguro a minha alma para que se não quebre
A melodia que vai de flor em flor ,
Arranco o mar do mar o ponho-o em mim
E o bater do meu coração sustenta
o ritmo das coisas.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Musa


Aqui me
sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos
Musa ensina-me
o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente.
(Sophia de Mello Breynder Anderssen)

Poema do Amanhã


Num esforço de amanhã hei-de nascer
e dizer aos homens de hoje quem eu sou.
(Manuela Amaral)

Pois...


Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir.
(Trecho do conto 'Os desastres de Sofia', in "Felicidade Clandestina)

Vagante


os sonhos
(in) possíveis
não me deixam adormecer
(Acantha)

Boa tarde!

Imagens e Recadinhos para seu orkut



Imagens e Recadinhos para seu orkut

quarta-feira, 28 de novembro de 2007


Namaste

Vendaval


Ó vento do norte, tão fundo e tão frio,
Não achas, soprando por tanta solidão,
Deserto, penhasco, coval mais vazio
Que o meu coração!
Indômita praia, que a raiva do oceano
Faz louco lugar, caverna sem fim,
Não são tão deixados do alegre e do humano
Como a alma que há em mim!

Mas dura planície, praia atra em fereza,
Só têm a tristeza que a gente lhes vê
E nisto que em mim é vácuo e tristeza
É o visto o que vê.

Ah, mágoa de ter consciência da vida!
Tu, vento do norte, teimoso, iracundo,
Que rasgas os robles — teu pulso divida
Minh'alma do mundo!

Ah, se, como levas as folhas e a areia,
A alma que tenho pudesses levar -
Fosse pr'onde fosse, pra longe da idéia
De eu ter que pensar!
(Fernando Pessoa)

"Quanto mais vazio está um coração, mais ele pesa."
(Amiel-Lapeyre)



"Antes de ter um filho, a referência é sempre a gente, os próprios projetos.
Depois, o foco se vira para ele.
A vida fica mais simples porque as coisas vão para o seu devido lugar.
O que não tem importância sai fora, a vida ganha mais sentido."
(Débora Bloch)