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segunda-feira, 3 de março de 2008

apparição



um dia, meu amor (e talvez cedo,
que já sinto estalar-me o coração!)
recordarás com dor e compaixão
as ternas juras que te fiz a medo…

então, da casta alcova no segredo,
da lamparina ao tremulo clarão,
ante ti surgirei, espectro vão,
larva fugida ao sepulcral degredo…

e tu, meu anjo, ao ver-me, entre gemidos
e afflictos ais, estenderás os braços
tentando segurar-te aos meus vestidos…

–«ouve! espera!»–mas eu, sem te escutar,
fugirei, como um sonho, aos teus abraços
e como fumo sumir-me-hei no ar!
(Antero de Quental)

sábado, 8 de dezembro de 2007

Nox


Noite, vão para ti meus pensamentos,
quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
tanto estéril lutar, tanta agonia,
e inúteis tantos ásperos tormentos...

Tu, ao menos, abafas os lamentos,
que se exalam da trágica enxovia...
O eterno Mal, que ruge e desvaria,
em ti descansa e esquece alguns momentos...

Oh! antes tu também adormecesses
por uma vez, e eterna, inalterável,
caindo sobre o Mundo, te esquecesses,

e ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,
dormisse no teu seio inviolável,
noite sem termo, noite do Não-ser!
(Antero de Quental)

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Na Mão De Deus


Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despôjo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!
(Antero de Quental)

domingo, 11 de novembro de 2007

As Fadas


"As Fadas... eu creio nelas!
Umas são moças e belas,
Outras, velhas de pasmar...
Umas vivem nos rochedos,
Outras, pelos arvoredos,
Outras, à beira do mar...

Algumas em fonte fria
Escondem-se enquanto é dia,
Saem só ao escurecer...
Outras, debaixo da terra,
Nas grutas verdes da serra,
É que se vão esconder..."
(Antero de Quental)

sábado, 27 de outubro de 2007

As Fadas

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"As Fadas... eu creio nelas!
Umas são moças e belas,
Outras, velhas de pasmar...
Umas vivem nos rochedos,
Outras, pelos arvoredos,
Outras, à beira do mar...

Algumas em fonte fria
Escondem-se enquanto é dia,
Saem só ao escurecer...
Outras, debaixo da terra,
Nas grutas verdes da serra,
É que se vão esconder..."
(Antero de Quental, As Fadas)