quinta-feira, 29 de novembro de 2007

"Poemas têm que ser escritos com sangue, com alma e com toda paixão que habita em você e com toda fúria, todo desejo, com todo amor."
(Carolina Salcides)

Alimente a sua alma com amor,
cure as suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias,
deixe-se levar pelas vontades,
mas não enlouqueça por elas.
Abasteça seu coração de fé,
não a perca nunca.
Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte.
Se perceber que precisa seguir, siga.
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-as.
Se perder um amor, não se perca.
Se o achar, segure-o.
Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
O mais é nada.
(Fernando Pessoa)

Bons sonhoss

Um dia branco


Dai-me um dia branco, um mar de beladona
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento.

Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam.

Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos.

Um dia em que se possa não saber.
(Sophia de Mello Breyner Andersen)

Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.

Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.

Seria mais tolo ainda do que tenho sido,
na verdade bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico.

Correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos
problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e produtivamente cada minuto da vida,
claro que tive momentos de alegria.

Mas, se pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida,
só de momentos, não percas o agora...
(Jorge Luís Borges)

Eu e eu mesma


Existem duas de mim, a boa e a ruim.
Quando uma adormece, a outra desperta,
com paixões incertas é sempre assim...
Uma vaidosa, segura e ardilosa,
a outra sensível, previsível e dengosa.

Uma fala de mansinho, sempre pede carinho,
não sabe dizer" não".
A outra esconde seus medos, deixa claro seus desejos,
e endurece seu coração.
Uma é amor e a outra é paixão!

Uma tem cara de anjo,
mãos de fada é suave e delicada.
A outra enfeitiça ,embriaga e assanha,
Gosta de perfume forte, ri de tudo, ri da morte.

Uma é amante imperdoável e apaixonante.
Insaciável mulher.
A outra menina, que afaga , que ganha e fascina...
Ganha tudo o que quer.

Uma é dia, cheio de nostalgia,
calma, bela, cheia de mania...
A outra é noite chuvosa e fria,
marcante, insinuante e vazia.
No meu eu existem duas de mim.
(Valquíria Cordeiro)

"Não me deixe rogar por proteção contra os perigos,
mas pelo destemor de enfrentá-los;
Não me deixe implorar pelo alívio da dor,
mas pela coragem de vencê-la;
Não me deixe procurar aliados na batalha da vida,
mas minha própria força;
Não me deixe suplicar com temor aflito para ser salvo,
mas esperar paciência para merecer a liberdade;
Não me permita ser covarde, sentindo sua clemência apenas no meu êxito,
mas me deixe sentir a força de sua mão quando eu cair."
(Rabindranath Tagore)

Quando se Ama uma Mulher


Quando se Ama uma mulher,
o sol nasce mais radiante,
os olhos brilham
intensamente.

A alma se enche de energia,
o corpo fica querendo
voar, não tem tristeza
tudo é alegria.


O coração bate mais contente
existe para ele uma
mulher somente.

Quando se Ama uma mulher
é assim, se longe estiver,
os dias parecem
não ter fim.

Se perto, o tempo insiste
em correr ...
Mas o homem quando Ama
abre mão do mundo,
para sua Amada ter !
(Eudes B. P.)

As Pessoas Sensíveis


As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão."

Ó vendilhões do templo
Ó constructores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Frágil Volúpia


Sou frágil, tem cuidado comigo, tem cuidado!
Ao me tocares, seja leve teu toque, com amor.
Como tocasses fina porcelana, tem cuidado ...
Eu sou um mimo de beleza, de fulgor.

As minhas mãos suaves, qual pétalas de rosa
Toma entre as tuas com carinho inigualável ...
Beija de leve a minha boca tão formosa
Sejas aquele namorado doce, admirável !

Eu hoje quero assim, de manso, bem gostoso ...
Que tu me abraces, qual um anjo venturoso.
Que seja platônico e etéreo, este instante.

Em que te furtas, até, de me fazer amante ...
Mas sejam apenas minutos de fragilidade
A antecederem muitas horas de voracidade.
(Mírian Warttusch)

A mensageira das violetas...


Tu julgas que eu não sei que tu me mentes
Quando o teu doce olhar pousa no meu?
Pois julgas que eu não sei o que tu sentes?
Qual a imagem que alberga o peito meu?

Ai, se o sei, meu amor! Em bem distingo
O bom sonho da feroz realidade…
Não palpita d´amor, um coração
Que anda vogando em ondas de saudade!

Embora mintas bem, não te acredito;
Perpassa nos teus olhos desleais
O gelo do teu peito de granito…

Mas finjo-me enganada, meu encanto,
Que um engano feliz vale bem mais
Que um desengano que nos custa tanto!"
(Florbela Espanca)

Hummmmmm

Lindas!




Coração terra que ninguém vê...


Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.

Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão.

Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração.

Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...
(Cora Coralina)

A Primeira Pedra



Atire a primeira pedra
Quem não sofreu, quem não morreu por amor
Todo corpo que tem um deserto
Tem um olho de água por perto
Para ouvir basta abrir os poros
Para aceitar basta oferecer
Para que adiar um desejo
De alguém que lhe quer tanto beijo
Quem de vocês
Resiste a uma tentação
Quem pretende revogar a lei do coração
Quem ousaria
Dessas vozes duvidar
Deixa a sua natureza se manifestar
(Carlinhos Brown, Marisa Monte, Arnaldo Antunes)

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
(David Mourão-Ferreira)

"Adote o hábito de dizer algo amável ao pronunciar as primeiras palavras pela manhã. Isso estabelecerá sua disposição mental e emocional para todo o dia."
(Peter Ducker)

Se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra

Eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto

Ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio

Daí vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
a gente se cruzasse...
(Alice Ruiz)

Eu em mim


Enfim esse é meu corpo
flor que amadureceu
estalo os dedos é sonho
respiro fundo
é brisa
estendo os braços
é asa
libero as fibras
é voo
Esperança resolvida,
verso que ficou pronto
Meu corpo é assim
Olho seu rosto mistério
ouço sua voz
estrangeira
cheiro seu suor
lembranças
sinto sua pele
sou eu
sou eu
para a dor e prazer
para o sabor e o saber
para a emoção de viver
viagem tão companheira
sou eu sim
sou eu assim
sou eu enfim
com meu corpo em mim.
(Roseana Murray)


Às vezes, uma dor me desespera
   Nestas ânsias e dúvidas em que ando
   Cismo e padeço, neste outono, quando
   Calculo o que perdi na primavera

   Versos e amores sufoquei calando
   Sem os gozar numa explosão sincera
   Ah! Mais cem vidas! Com que ardor quisera
   Mais viver, mais penar e amar cantando!

   Sinto o que desperdicei na juventude
   Choro, neste começo de velhice
   Mártir da hipocrisia ou da virtude

   Os beijos que não tive por tolice
   Por timidez o que sofrer não pude
   E por pudor os versos que não disse!
   (Olavo Bilac)

Eu queria mais altas as estrelas,
Mais largo o espaco, o sol mais criador,
Mais refulgente a Lua, o mar maior,
Mais cavadas as ondas e mais belas;

Mais amplas, mais rasgadas as janelas
Das almas, mais rosas a abrir em flor,
Mais montanhas, mais asas de condor,
Mais sangue sobre a cruz das caravelas!

E abrir os bracos e viver a vida:
- Quanto mais funda e lugubre a descida,
Mais alta e' a ladeira que nao cansa!

E, acabada a tarefa... em paz, contente,
Um dia adormecer, serenamente,
Como dorme no berco uma crianca!
(Florbela Espanca)

Relax!

Amostra sem valor


Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.
(António Gedeão)

alguém pode me dizer
se estava prevista na palma da minha mão
esta paixão inesperada
se estava já escrita e demarcada
na linha da minha vida
se fazia já parte da estrada
e tinha que ser vivida

ou foi um desgoverno repentino
que surpreendeu os deuses, todos
os que desenham o nosso destino
ou foi um desatino, uma loucura
uma imprevisível subversão
que só a patir de agora eu trago marcada
na palma da minha mão
(Bruna Lombardi)


Natal chegando...

Covardia da Alma


Procuro Pela felicidade
Viver em paz pela eternidade
Quero conhecer a verdadeira fraternidade
Ter em meu coração a luminosidade

Porém sou amargurado
Sentimento eternizado
Sinto-me eternamente abandonado
Meu coração está sufocado

Tenho em meu ser
Um enorme medo de viver
Medo que não sei entender
Medo de amar e crescer

Alma em desespero está
Busco desesperadamente me encontrar
Para do medo me libertar
E a vida conquistar

Medo tu serás vencido
Vencerei o desconhecido
A verdadeira luz eu conhecerei
Em paz meu caminho seguirei.
(Jorge Santiago)

Alma


há almas que têm
as dores secretas
as portas abertas
sempre pra dor
há almas que têm
juízo e vontades
alguma bondade
e algum amor

há almas que têm
espaços vazios
amores vadios
restos de emoção
há almas que têm
a mais louca alegria
que é quase agonia
quase profissão

a minha alma tem
um corpo moreno
nem sempre sereno
nem sempre explosão
feliz esta alma
que vive comigo
que vai onde eu sigo
o meu coração
(Simone)

Não me perguntem ...


Não me perguntem quantos anos eu tenho...
mas, SIM, quanto Amor carrego no meu Coração!
Não me perguntem quantos anos eu tenho...
mas quantos Sonhos sou capaz de Sonhar!

Não me perguntem quantos anos eu tenho...
mas quantos Beijos sou capaz de dar!
Não me perguntem quantos anos eu tenho...
mas quanto sou capaz de me Dispor e me Entregar a quem Amo!

Não me perguntem quantos anos eu tenho...
mas quanto--se Preciso for--
sou capaz de ao Sonho,Vida da Minha Vida,Renunciar!
Não me perguntem quantos anos eu tenho...
Mas, SIM, quanto sou capaz de PERDOAR!
(AD)

Na Mão De Deus


Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despôjo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!
(Antero de Quental)

Rastro de um Amor


Saudade é como o vento...
Que bate na alma revelando,
As pegadas acobertadas pela dor!
Singrando lembranças, de um amor!

Tristeza é o orvalho traduzido...
Em aceno, a perfídia ilusão...
De promessas vazias, esquecidas...
Na esperança deste ingrato coração!

Prelúdio de sofrimentos.
Abrindo trilhas sinuosas...
Que persistem na memória.

Irradiando sofrimento.
Numa fantasia de delírios...
Onde a vida perde o seu brilho!
(Thomaz Barone Neto)

"AS AMIZADES REATADAS REQUEREM MAIORES
CUIDADOS QUE AQUELAS QUE NUNCA FORAM ROMPIDAS."
(Le Rochefoucauld)

Lua


Nua, clara, pura,
Leva-me daqui,
Lava-me em Luz,
Diz que a tristeza
É hoje minguante,
Que a dor ora incessante,
Que me devora
No azul do firmamento
É puro esquecimento
Evapora.
Lua, nua, clara, pura,
Leva-me daqui,
Lava-me,
Minha vida enfim, clareia
Lua minha, minha lua.
Lua Cheia.
(Tonho França)

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
(Oscar Wilde)

Malandragem


Quem sabe eu ainda
Sou uma garotinha
Esperando o ônibus
Da escola, sozinha...

Cansada com minhas
Meias três quartos
Rezando baixo
Pelos cantos
Por ser uma menina má...

Quem sabe o príncipe
Virou um chato
Que vive dando
No meu saco
Quem sabe a vida
É não sonhar...

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar...

Bobeira
É não viver a realidade
E eu ainda tenho
Uma tarde inteira...

Eu ando nas ruas
Eu troco cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo
Prá cantar...

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar...

Eu ando nas ruas
Eu troco cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo
Prá cantar

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
E não aprendi a amar...

Quem sabe eu ainda sou
Uma garotinha!
(Cazuza / Frejat)


Lindossssssss



Hummmmmmm


"Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
e que nele posso navegar sem rumo,
não respondas
às urgentes perguntas
que te fiz.
Deixa-me ser feliz
assim,
já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer enquanto
o nosso amor
durou.
Mas o tempo passou,
há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
matar a sede com água salgada..."
(Miguel Torga)

As minhas mãos mantêm as estrelas,
Seguro a minha alma para que se não quebre
A melodia que vai de flor em flor ,
Arranco o mar do mar o ponho-o em mim
E o bater do meu coração sustenta
o ritmo das coisas.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Musa


Aqui me
sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos
Musa ensina-me
o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente.
(Sophia de Mello Breynder Anderssen)

Poema do Amanhã


Num esforço de amanhã hei-de nascer
e dizer aos homens de hoje quem eu sou.
(Manuela Amaral)

Pois...


Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir.
(Trecho do conto 'Os desastres de Sofia', in "Felicidade Clandestina)

Vagante


os sonhos
(in) possíveis
não me deixam adormecer
(Acantha)

Boa tarde!

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