sexta-feira, 23 de novembro de 2007


"No Universo tudo está conectado. Todo o poder vem de dentro e está, portanto, sob o nosso controle."
(Robert Collier)

Bebêsss

Reverência ao Destino


Falar é completamente fácil, quando se têm palavras em mente que expressem sua opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação. Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado. Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar. Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar. Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai?". Difícil é dizer "adeus". Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado. Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca. Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras. Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber. Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade. Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida. Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica. Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho.
Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade,
que se eterniza, e nenhuma força jamais o resgata.
(Carlos Drummond de Andrade)




(...) mas quero ter a liberdade de dizer coisas sem nexo como profunda forma de te atingir. Só o errado me atrai, e amo o pecado, a flor do pecado.
Mas como fazer se não te eterneces com meus defeitos, enquanto eu amei os teus. Minha candidez foi por ti pisada. Não me amaste, disto só eu sei. Estive só. Só de ti. Escrevo para ninguém e está-se fazendo um improviso que não existe. Descolei-me de mim.
(Clarice Lispector)

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)

A criança olha
para o céu azul.
Levanta a mãozinha,
quer tocar o céu.

Não sente a criança
que o céu é ilusão:
Crê que o não alcança,
quando o tem na mão.
(Manuel Bandeira)

Ossos de Borboleta


"São lindos os ossos de borboleta. Bem sei que só existem em sentido figurado; ninharias que lhes deram o nome; um ceitil, um sexto de real ou do irreal, um milésimo do zero. Mas acredito teimosamente na existência dos ossos de borboleta."
"Bem sei que por exemplo os ossos de siba ou sépia são admiráveis; tanto assim que o poeta Montale batizou Ossi di seppia um dos seus melhores livros. Bem sei que o molusco de que é tipo a SEpia officinalis tornou-se precioso até na oficina do pintor."

"Mas os ossos de borboleta! Que finura, que delicadeza! Voam."
(Murilo Mendes, in Poliedro)

Florescer – é Resultar – quem encontra uma flor
E a olha descuidadamente
Mal pode imaginar
O pequeno Pormenor

Que ajudou ao Incidente
Brilhante e complicado,
E depois oferecido, tal Borboleta,
Ao Meridiano –

Encher o Botão – opor-se ao Verme –
Obter o que de Orvalho tem direito –
Regular o Calor – escapar ao Vento –
Evitar a abelha que anda à espreita,

Não decepcionar a Grande Natureza
Que A espera nesse Dia –
Ser Flor é uma profunda
Responsabilidade -
(Emily Dickinson)

Viva La Dance

Perseverança


Não quero amar o próximo.
Quero sim, amar o distante.
E o distante, és tu.
Crês, uma virtude, a perseverança.
Estás certo!
— Soberbo edifício pode ser destruído
Por insistentes gotas de chuva;
Elas furam pedras, depende do tempo!
Sou o profundo poço, onde

— Por acaso mergulhaste.
Como sou quase perene,
Poderei levar longo tempo
Para conhecer o que caiu
Em meu poço...

— Se uma pedra preciosa;
Uma moeda valiosa;
Uma semente doce, rosa,
De uma romã madura que brotará...
Ou, do futuro homem,
[o embrião]
(Helena Quental)

Quando a criança era criança
Ela caminhava com os braços balançando
Ela queria que o riacho fosse um rio,
O rio uma torrente
E essa poça d'água, o mar.

Quando a criança era criança,
Ela não sabia que era criança,
Tudo era inspirado nela,
E todas as almas eram uma só.
Quando a criança era criança,
Ela não tinha opinião sobre nada,
Não tinha nenhum hábito
Ela se sentava de pernas cruzadas,
Saía correndo de repente.
Tinha um redemoinho no cabelo
E não fazia caras quando ia tirar fotografias.

Quando a criança era criança,
Era a época dessas perguntas:
Por que eu sou Eu
E não Você?
Por que eu estou aqui e
por que não lá?
Quando começou o tempo
E onde termina o espaço?
A vida sob o sol não é apenas um sonho?
Não seria tudo o que eu possa ver, ouvir e cheirar
Apenas a aparência de um mundo anterior a este mundo?
Existem mesmo o Mal
E pessoas que são realmente más?
Como é que eu, o Eu que eu sou,
Antes que eu viesse a ser, não era?
E como é que um dia eu,
o Eu que eu sou, não mais serei
o Eu que eu sou?
(Peter Handke, citado no início de Asas do Desejo)

O Cântico das criaturas (ou Cântico do Irmão Sol)


Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a benção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o Senhor Irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.

E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste claras
E preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo
Pela qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Água,
Que é mui útil e humilde
E preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.

Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.

Bem aventurados os que sustentam a paz,
Que por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.

Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes á tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal!

Louvai e bendizei a meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.
(São Francisco de Assis)

O encanto da Lua


Nua e insólita se exibe
Atraindo para si as atenções
Com pretensões que só ela pode atinar
Deixa espalhar o seu encanto
Atiçando sutilmente as paixões
No desejo de se libertar

Arrebata os apaixonados
Encanta os inocentes sonhadores
Embeleza e ilumina todo olhar
Até os solitários são lembrados
Enredados em místicos odores
Que em amores vão se transformar

Um sortilégio envolvendo a humanidade
Que sem maldade o aceita docemente
Na singela fragilidade que alivia
E ao se ver seduzida em liberdade
Mergulha na vontade urgentemente
Vibrando na mais louca melodia

Sem receio entrega-se a esse encanto
Como se a fonte de todo prazer
Reluzindo no luar só esplendor
Assim, tomada de surpresa e espanto
A humanidade vai se entristecer
Na madrugada, quando ela se for...
(Priscila de Loureiro Coelho)

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
(Hilda Hilst)

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo
(Sophia de Mello Breyner)

Este é o Prólogo


Deixaria neste livro toda a minha alma.
este livro que viu as paisagens comigo
e viveu horas santas.

Que pena dos livros que nos enchem as mãos
de rosas e de estrelas e lentamente passam !

Que tristeza tão funda é olhar os retábulos
de dores e de penas que um coração levanta !

Ver passar os espectros de vida que se apagam,
ver o homem desnudo em Pégaso sem asas,

ver a vida e a morte, a síntese do mundo,
que em espaços profundos se olham e se abraçam.

Um livro de poesias é o outono morto:
os versos são as folhas negras em terras brancas,

e a voz que os lê é o sopro do vento
que lhes incute nos peitos - entranháveis distâncias.

O poeta é uma árvore com frutos de tristeza
e com folhas murchas de chorar o que ama.

O poeta é o médium da Natureza
que explica sua grandeza por meio de palavras.

O poeta compreende todo o incompreensível
e as coisas que se odeiam, ele, amigas as chamas.

Sabe que as veredas são todas impossíveis,
e por isso de noite vai por elas com calma.

Nos livros de versos, entre rosas de sangue,
vão passando as tristes e eternas caravanas

que fizeram ao poeta quando chora nas tardes,
rodeado e cingido por seus próprios fantasmas.

Poesia é amargura, mel celeste que emana
de um favo invisível que as almas fabricam.

Poesia é o impossível feito possível.
Harpa que tem em vez de cordas corações e chamas.

Poesia é a vida que cruzamos com ânsia,
esperando o que leva sem rumo a nossa barca.

Livros doces de versos sãos os astros que passam
pelo silêncio mudo para o reino do Nada,
escrevendo no céu suas estrofes de prata.

Oh ! que penas tão fundas e nunca remediadas,
as vozes dolorosas que os poetas cantam!

Deixaria neste livro toda a minha alma...
(Garcia Lorca)

Minha vida não é esta hora a pique
Em que me vês tão afobado.
Eu sou uma árvore em frente ao interior de mim.
Sou uma só de minhas muitas bocas
E aquela que primeiro há de fechar-se.

Sou aquele intervalo entre duas notas
Que só dificilmente se harmonizam,
E é quando o tom da morte vai mais alto.

Mas no escuro intervalo as duas soam,
Trêmulas ambas.

E é bonito o canto.
(Rilke)

minha liberdade pequena e
enquadrada me une à liberdade do
mundo, mas o que é uma janela senão
o ar emoldurado por esquadrias?
(Clarice Lispector)

Uma meia-noite clara


"Esta é a tua hora, ó alma, teu vôo livre na ausência de palavras,
Longe dos livros, longe da arte, o dia esquecido, o dever cumprido.
Tu emergindo plena, silenciosa, contemplativa, refletindo sobre os temas que mais amas,
A noite, o sono, a morte e as estrelas."
(Walt Whitman)

Ser ruiva è...


Ser ruiva é não ser comum atrevida.
Ser ruiva é não ser vulgar
E cativar prender marcar
Ser ruiva é se entregar é ousar
Ser ruiva é ser paixão é emoção
Ser ruiva é ser elegante
E ter classe e ser instigante
Ser ruiva é brincar com os sentidos
Os próprios e os alheios
E saber exigir, solicitar e doar.
Ser ruiva é ser generosa, afetuosa,
Meiga e carinhosa
Ser ruiva é preencher vazios
E surpreender inquietar assustar
Ser ruiva exige circunstancia, elegância, pompa.
Ser ruiva é ser doce meiga às vezes dócil.
Ser ruiva é ser mulher
Sem constrangimento
E sem pedir perdão sem pedir licença.
E ficar sempre sem saber a hora de parar
E nunca saber também
A horas de começar...
(Mulher Camaleoa)

O amor tem as suas razões,
que a lógica não compreende, como o destino
tem as suas ironias, que a razão não explica.
(Arthur Orlando)

As armas não podem atingí-lo,
Fogo não pode queimá-lo,
Água não pode molhá-lo,
Vento não pode empurrá-lo.
Ele é eterno e difuso,
Sutil, inamovível e sempre o mesmo.
(Bhagavad Gita)

A Ruiva!


Sem comentáriosss

Sem comentáriosss

Mil Poesias


Reparo o vento
E pra onde será que ele vai?
Se me levasse onde você mora,
Certamente eu iria atrás.
Em noites lindas
Eu fico a pensar,
Será que a lua
Brilha sozinha
Ou você que faz ela brilhar.
Ahhh... se eu pudesse imaginar,
Tudo que você pensa
Ou sempre irá gostar.
Ehhh... se eu pudesse entender,
O que te faz sorrir
Eu sempre ia fazer.
É que eu vim dizer
Mil poesias só pra você.
É que eu vim dizer
Mil poesias só pra você.
E se de alguma gostar
Outras mil eu posso formar.
E se tocar em você
Outras mil eu posso fazer.
Reparo o vento
E pra onde será que ele vai?
Se me levasse pelo mundo inteiro,
Certamente eu iria atrás.
E hoje acordei tão cedo
E fui ver o sol chegar.
Será que ilumina o mundo inteiro
Ou só existe pra te iluminar.
(Sander Fróis)

Sensual



Quando eu cantar
quero ficar
molhado de suor
e por favor não vá pensar
que é só a luz do reflector

será minha alma que sua
sou um sol negro de dor
outro corpo a pele nua
carne músculo e suor
como um cão que uiva pra Lua
contra seu dono e feitor
bicho um animal ferido
no dia do caçador
humaníssimo gemido
raro e comum como o amor

Quando eu cantar
quero deixar você
molhado de amor
e por favor não vá pensar
que é só a noite ou o calor

Quero ver você ser
inteiramente tocada
pelo licor da saliva
a língua o beijo a palavra
minha voz quer ser o dedo
na tua chaga sagrada
uma voz feita de espinho
espora em teus membros cansados
sensual como o espírito
ou como o verbo encarnado
(Belchior)

Coisas Da Paixão



Coisas da Paixão, só quem sabe é o coração
Coisas pra dizer, quando eu olho pra você
Que a natureza vê em meu olhar
Um outro céu, um outro mar, amor
Nossos olhos tem a mesma voz
A mesma cor, o mesmo tom maior
Nossos olhos navegando assim
Até o fim, até a sós do amor
E o que é o amor, pergunta sem resposta
Quem sabe o coração quem sabe
Mesmo sem falar, eu ouço o que você não diz
O amor que eu sempre quis,
me diz pra gente ser feliz
Mesmo sem falar, eu ouço o que você não diz
O amor que eu sempre quis,
me diz pra gente ser feliz
(Emílio Santiago)

Aos Deuses


Aos deuses peço só que me concedam
O nada lhes pedir.
A dita é um jugo
E o ser feliz oprime
Porque é um certo estado.
Não quieto nem inquieto meu ser calmo
Quero erguer alto acima de onde os homens
Têm prazer ou dores.
(Ricardo Reis)

Feitiço amoroso


Passeie pelo jardim,
procurando violetas.
Num feitiço assim,
elas tem que ser perfeitas.
Cor de rosa deverão ser,
que é a cor do coração.
Com jeitinho irás colher,
colocando na palma da mão.
Olhar bem o miolinho,
e com muita fé desejar,
conhecer um amorzinho,
que ele logo há de chegar.
Mas se já está conquistado,
não esqueça de pedir,
que o amor seja sagrado
no tempo eterno, a reluzir.
(Guida Linhares)

Se cada dia cai


Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
(Pablo Neruda)

"Eu aprendi com a primavera
a me deixar cortar
e voltar sempre inteira."
(Cecília Meireles)

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhosao longe,
o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
(Cecília Meireles)

Borboletas


Eu sou aquele que vai com a noite
tenra e crescente,
e invoco a terra e o mar
que a noite leva pela metade.
Aperte mais, noite de peito nu!
Aperte mais, noite nutriz magnética!
Noite dos ventos do sul,
noite das poucas estrelas grandes!
Noite silenciosa que me acena
– alucinada noite nua de verão!
(Walt Whitman)

Pedras no caminho?


"Guardo todas; um dia, vou construir um castelo..."
(Fernando Pessoa)

Quando Um Amigo
Tem Um Problema,
Não O Deixe Inibido Perguntando Se
Tem Algo Que Você Possa Fazer
Pense Em Algo Apropriado e Faça.
(Edgard Watson Howe)


Partida, hora amarga
Enche-se alma de saudades
E os olhos de lágrimas...
(Ulisses Cuiabano)

Ela caminha em beleza, como a noite
Num céu sem nuvens e de estrelas palpitantes;
E o que há de bom em treva ou resplendor
Reúnem-se em seu aspecto e em seu olhar:
Dessa forma suave para uma luz tão branda
Cujo céu denega ao dia em seu fulgor.

Uma sombra a mais, em raio que faltasse,
Teria parte prejudicada por sua graça indefinível
Que em suas tranças negras ondeia
Ou meigamente lhe ilumina o semblante:
Onde pensamentos serenamente expressam doçura
Quão puro é o seu lar, como é aprazível.

E sobre esse queixo, sobre aquela sobrancelha,
Nesses traços tão macios, tão calmos, contudo eloqüentes,
Os sorrisos que vencem e as matizes que incandescem,
Dizem apenas dos dias de bondade gastos,
De uma alma cuja paz com todos transparece,
De um coração de amores inocentes!
(Lord Byron)

Não existem erros


"Os acontecimentos que atraímos para nós, por mais desagradáveis que sejam, são necessários para ensinar o que necessitamos aprender.
Quando iniciamos a vida, cada um de nós recebe um bloco de mármore e as ferramentas necessárias para converter esse bloco em escultura.
Podemos arrastá-lo intacto a vida toda...
Podemos reduzi-lo a cascalho
Ou podemos dar-lhe uma forma gloriosa..."
(Richard Bach)