quinta-feira, 29 de novembro de 2007


Eu queria mais altas as estrelas,
Mais largo o espaco, o sol mais criador,
Mais refulgente a Lua, o mar maior,
Mais cavadas as ondas e mais belas;

Mais amplas, mais rasgadas as janelas
Das almas, mais rosas a abrir em flor,
Mais montanhas, mais asas de condor,
Mais sangue sobre a cruz das caravelas!

E abrir os bracos e viver a vida:
- Quanto mais funda e lugubre a descida,
Mais alta e' a ladeira que nao cansa!

E, acabada a tarefa... em paz, contente,
Um dia adormecer, serenamente,
Como dorme no berco uma crianca!
(Florbela Espanca)

Relax!

Amostra sem valor


Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.
(António Gedeão)

alguém pode me dizer
se estava prevista na palma da minha mão
esta paixão inesperada
se estava já escrita e demarcada
na linha da minha vida
se fazia já parte da estrada
e tinha que ser vivida

ou foi um desgoverno repentino
que surpreendeu os deuses, todos
os que desenham o nosso destino
ou foi um desatino, uma loucura
uma imprevisível subversão
que só a patir de agora eu trago marcada
na palma da minha mão
(Bruna Lombardi)


Natal chegando...

Covardia da Alma


Procuro Pela felicidade
Viver em paz pela eternidade
Quero conhecer a verdadeira fraternidade
Ter em meu coração a luminosidade

Porém sou amargurado
Sentimento eternizado
Sinto-me eternamente abandonado
Meu coração está sufocado

Tenho em meu ser
Um enorme medo de viver
Medo que não sei entender
Medo de amar e crescer

Alma em desespero está
Busco desesperadamente me encontrar
Para do medo me libertar
E a vida conquistar

Medo tu serás vencido
Vencerei o desconhecido
A verdadeira luz eu conhecerei
Em paz meu caminho seguirei.
(Jorge Santiago)

Alma


há almas que têm
as dores secretas
as portas abertas
sempre pra dor
há almas que têm
juízo e vontades
alguma bondade
e algum amor

há almas que têm
espaços vazios
amores vadios
restos de emoção
há almas que têm
a mais louca alegria
que é quase agonia
quase profissão

a minha alma tem
um corpo moreno
nem sempre sereno
nem sempre explosão
feliz esta alma
que vive comigo
que vai onde eu sigo
o meu coração
(Simone)

Não me perguntem ...


Não me perguntem quantos anos eu tenho...
mas, SIM, quanto Amor carrego no meu Coração!
Não me perguntem quantos anos eu tenho...
mas quantos Sonhos sou capaz de Sonhar!

Não me perguntem quantos anos eu tenho...
mas quantos Beijos sou capaz de dar!
Não me perguntem quantos anos eu tenho...
mas quanto sou capaz de me Dispor e me Entregar a quem Amo!

Não me perguntem quantos anos eu tenho...
mas quanto--se Preciso for--
sou capaz de ao Sonho,Vida da Minha Vida,Renunciar!
Não me perguntem quantos anos eu tenho...
Mas, SIM, quanto sou capaz de PERDOAR!
(AD)

Na Mão De Deus


Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despôjo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!
(Antero de Quental)

Rastro de um Amor


Saudade é como o vento...
Que bate na alma revelando,
As pegadas acobertadas pela dor!
Singrando lembranças, de um amor!

Tristeza é o orvalho traduzido...
Em aceno, a perfídia ilusão...
De promessas vazias, esquecidas...
Na esperança deste ingrato coração!

Prelúdio de sofrimentos.
Abrindo trilhas sinuosas...
Que persistem na memória.

Irradiando sofrimento.
Numa fantasia de delírios...
Onde a vida perde o seu brilho!
(Thomaz Barone Neto)

"AS AMIZADES REATADAS REQUEREM MAIORES
CUIDADOS QUE AQUELAS QUE NUNCA FORAM ROMPIDAS."
(Le Rochefoucauld)

Lua


Nua, clara, pura,
Leva-me daqui,
Lava-me em Luz,
Diz que a tristeza
É hoje minguante,
Que a dor ora incessante,
Que me devora
No azul do firmamento
É puro esquecimento
Evapora.
Lua, nua, clara, pura,
Leva-me daqui,
Lava-me,
Minha vida enfim, clareia
Lua minha, minha lua.
Lua Cheia.
(Tonho França)