domingo, 30 de dezembro de 2007

Intervivos



enquanto respiro,
existo e vivo,
haverá caminhos,
logos,
e motivos.
(Bia Marquez)

Folhagem



Descanso os olhos
sobre as folhas miúdas que tremem
Piscam minhas pálpebras
O vento me envolve
Existo
inacreditavelmente
entre o abrir e fechar
Página folheada
de um livro
vivo.
(Rosália Milsztajn)

As pessoas grandes adoram os números.
Quando a gente lhes fala de um novo amigo,
elas jamais se informam do essencial. Não perguntam
nunca: "Qual é o som da sua voz? Quais os
brinquedos que prefere? Será que coleciona
borboletas?" Mas perguntam: "Qual é sua idade?
Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa?
Quanto ganha seu pai?" Somente então é
que elas julgam conhecê-lo. Se dizemos às
pessoas grandes: "Vi uma bela casa de tijolos
cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no
telhado..." elas não conseguem, de modo
nenhum, fazer uma idéia da casa.
É preciso dizer-lhes: "Vi uma casa
de seiscentos contos". Então elas
exclamam: "Que beleza!"
(Antoine de Saint-Exupéry)

Parte de mim


Acho-me estranha
Gosto da solidão
Guardo segredos do coração
Gosto do silêncio
Da noite
Das canções mais tristes
Das chuvas mais fortes
Temo a morte!
Sou fascinada pelas flores
Resistente a dores
Porém frágil aos amores
Tenho medos que desconheço
E outros que até mereço
Sou avessa ao espelho
Não uso vermelho
Gosto das comidas picantes
Prefiro as bebidas quentes
Temo as alturas
As pessoas
Amo a bravura do mar
Tenho olhos tristes
A razão dentro de mim
Fui buscar
Não encontrei
Você não estava mais lá.
(Valquíria Cordeiro)

Viver é a arte de passar pelas frestas.
(Ana Rego Monteiro)

A Grande Borboleta



A Grande Borboleta
Leve numa asa a lua
E o sol na outra

E entre as duas a seta

A grande borboleta
Seja completa-
Mente solta
(Caetano Veloso)
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