Entre Fadas e Borboletas circulamos. Neste movimento transitório, inalterável, percorremos. Entre mistérios e paraísos lilases equilibramos. Entre matizes rosas e azuis voamos. E nos canteiros perfumados cultivamos. As flores mais lindas colhemos. Rosas vermelhas ou brancas exalamos. E nas manhãs de verão, nos amamos. (Paty Padilha)
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Da minha solidão

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha,
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do próprio coração.
Moreno, era a forma das pedras e das luas.
Dentro de mim alguma coisa ardia:
a brancura das palavras maduras
ou o medo de perder quem me perdia.
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão
e longamente bebi os horizontes.
E longamente fiquei até sentir
o meu sangue jorrar nas próprias fontes.
(Eugénio de Andrade)

Quem nesse momento pensa no ar? Ninguém. E, no entanto, todos nós estamos respirando. O ar é nossa vida e não precisamos pensar nele nem dizer o seu nome para que ele nos dê vida. Deus é assim, é como o vento. Sentimos na pele quando ele passa, ouvimos a sua música nas folhas das árvores e o seu assobio nas gretas das portas. Mas não sabemos de onde vem nem para onde vai. Na flauta o vento se transforma em melodia. Mas não é possivel engarrafá-lo. Mas as religiões tentam engarrafá-lo em lugares fechados a que eles dão o nome de "casa de Deus". Mas se Deus mora numa casa estará ele ausente do resto do mundo? Vento engarrafado não sopra...
Rubem Alves

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
© 1924, Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
From: Poesia
Publisher: Assírio & Alvim, Lisbon, 2001
Heroínas

Já fui Ceci
envolta em plumas e penas.
O sonho de Peri.
Vivi delicias plenas
e suplícios,
transvertida em Lúcia.
Lucíola e seus
vícios.
Ressaca tomou-me os olhos
de Capitu.
Nadei em ondas revoltas.
Iracema de Caramuru.
Cabelos negros asa de graúna,
lábios de mel.
Nos confins do pampa.
Coxilha e céu.
Fui Ana Terra.
Fui Bibiana,
e no sertão Tereza.
Sempre Tereza...
Cansada de Guerra.
Sônia (Anja Azul)
A carícia Perdida

Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos...
No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega.
Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão,
nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?
(Alfonsina Storni - Tradução de Carlos Seabra)
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Toda mulher é inteligente e ponto.

Não tem essa de ponto continuativo, é final mesmo!!!!!
A inteligência, o charme, a criatividade,
a agilidade, a versatilidade e etc, etc, etc, das mulheres,
vem incomodando muita gente mal resolvida.
A mulher não entra: ela adentra
A mulher não chega: ela aconchega
A mulher não nasce: Ela estréia
A mulher não só canta: Ela encanta
A mulher não só brilha: Ela ilumina
A mulher não fala: Ela pronuncia
A mulher não passa: Ela desfila
A mulher não só trabalha: Ela produz
A mulher não só sonha: Ela realiza
A mulher não só elabora: Ela concretiza
A mulher não só olha: Ela seduz
A mulher não duvida: Ela afirma e prova
A mulher não só cresce: Ela evoluí
A mulher não espera: Ela vai à luta
A mulher não comenta: Ela debate com fundamentos
A mulher não dá rasteiras: Ela derruba com classe
A mulher não é só cheirosa: Ela exala seu cheiro de fêmea.
E Fêmea sabe o que querrrrrrrrrrrrrr!
(Dilean de Bragança)
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