Em cada amanhecer
Novas chances:
De sonhos realizados,
Sorrisos sinceros,
Desafios lançados,
Laços abertos,
Segredos à desvendar,
Paixões despertar...
... um mundo novo para descobrir.
Paty Padilha
Quero-te na tua mais livre
profundidade
Palmilhando as minhas mais insensatas
superfícies
Como se eu fosse um prato raso
Com o ventre repleto de desejos tenros.
Quero-te na tua mais fraterna
lógica
Defendendo as minhas mais insensíveis
demências
Como se eu fosse uma rua estreita
Com o ventre repleto de paralelepípedos turvos.
Quero-te na tua mais igual
exatidão
Inventariando as minhas mais insanas
incoerências
Como se eu fosse um ponto cego
Com o ventre repleto de brotos ternos.
Quero-te, sobretudo, na tua mais pródiga
fecundidade
Alimentando as minhas mais inservíveis
esterilidades
Como se eu fosse tua filha bastarda
Com o ventre repleto de promessas toscas.
Oswaldo Antônio Begiato
No silêncio que me abraça,
Permito que a alma faça
moradia na saudade...
É preciso sentir para doer...
É preciso deixar para não
Esquecer...
É preciso ter certeza
Que o amor não
Findará na ausência!...
Cida Luz
Em minha vida,
Muitos momentos
Me sinto como
Uma Borboleta,
Passando por várias
E dolorosas metamorfoses.
Sentido-me frágil e indefesa...
Incapaz...
Mas renasço sempre
Bela e cheia de vida
Alçando vôos…
Cheios de graça!
Paty Padilha
...A liberdade não se veste bem,
não tem bons modos,
não liga para que os outros vão dizer,
Ser absolutamente livre tem um ônus que poucos se atrevem a pagar.
Martha Medeiros
A mulher é poesia divina em movimento, quando interajo com esta mística criatura e libertados são meus cinco sentidos, viajo pelo mundo da magia e acontece o milagre da materialização em versos de meu pensamento.
Valter Montani
"Entretanto sou incapaz de dizer o que é que eu quero, apesar de ansiar pelo que espero de alguma forma secreta. Pois muitas vezes, e com freqüência cada vez maior, a medida que o tempo passa, dou comigo de repente a interromper minhas andanças, como se eu fosse paralisada por um olhar estranho e novo sobre a superfície da terra que conheço tão bem. Um olhar que insinua alguma coisa; mas que se vai antes de eu perceber seu sentido. É como se um riso nunca visto furtivamente se estendesse num rosto bem conhecido; por um lado dá medo, no entanto por outro ele nos faz um sinal."
(Contos Completos – O diário de Mistress Joan Martyn)
Quando alguém olha para você e estende aquele dedo do meio,
ele está querendo dizer:
"Escuta aqui,
você não é mindinho,
não é o fura-bolo e,
muito menos,
o cata-piolho!
Você é o maior de todos, amigão!!!
Você é o maior de todos!!!"
Rita Apoena
"Iluminar
para sempre
Iluminar tudo
Iluminar
por toda
a eternidade
Iluminar e só
Este é o meu lema
E o do sol"
Vladimir Maiakovski
O poema quieto,
Conformado no silêncio
Da folha que o prendia em linhas.
Sem saber como deixar de ser letras
Pousadas ali, tão seletas.
Precipita-se em retalhos
E como pássaros recortados
Antecipa meu olhar no talho.
Meu desejo ousa vôo,
Reconta o sentido
Do verso emissário.
Gira piruetas na folha,
Inventando sentidos
A sua existência de verso.
Num sopro desfaz-se a linha,
Pousando de novo se alinha
No que a mão do poeta continha.
Rachel D.Moraes
Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha.)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.
Hilda Hilst