segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Nada é impossível de mudar


Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.


Bertold Brecht

Essas pessoas tão necessárias



Há pessoas que com
uma só palavra
despertam ilusões
e roseirais;
que com um mero sorriso nos olhos
nos convidam a viajar
por outras terras,
nos dão a conhecer toda a magia do mundo.
Há pessoas que com Um mero toque
Quebram a solidão, põem a mesa, servem um banquete
e colocam grinaldas;
que com uma simples viola
fazem uma sinfonia caseira
Há pessoas a quem basta
Abrir a boca
Para tocar nos confins da alma,
Alimentar uma flor,
Inventar sonhos,
Fazer cantar o vinho nas pipas,
Como se fossem a coisa mais simples do mundo.
E assim vamos de braço dado
Com a vida,
Desterrando uma morte solitária,
Pois sabemos que ao virar da esquina
Há pessoas assim,
Tão necessárias...

Hamlet Lima Quintana

domingo, 2 de agosto de 2009

Três Letrinhas


Sim, são três letrinhas
Todas bonitinhas
Fáceis de dizer
Ditas por você
Nesse seu sim, assim
Outras três também
Representam não
Que não fica bem no seu coração
Sim, são três letrinhas
Todas bonitinhas
Fáceis de dizer
Ditas por você
Nesse seu sim, assim
Outras três também
Representam não
Que não fica bem no seu coração
É minha canção resto de oração
Que fugiu da igreja
Não quis mais do vinho
Foi tomar cerveja
Voltou ao jardim
E tá esperando gente
Que só disse sim
E tá esperando gente
Que só disse sim
E tá esperando gente
Que só disse sim


Moraes Moreira / Galvão

Abriu-se a janela
que existia no ar.
Ninguém viu pousar
Qualquer sombra nela.

Entre o lago e a lua,
Sozinha subia,
Uma árvore fria,
Delicada e nua.

E, de galho em galho,
Andavam as loucas,
Com cestas e toucas,
Em busca de orvalho.

Azuis, os vestidos,
E o rosto coberto
De um luar incerto,
- com os traços perdidos.
(Certamente para
Que ninguém lembrasse
A dorida face
que amara e chorara...)

As loucas nos ramos
Brincavam. E havia
O ar essa alegria
Que nunca alcançamos.

Pela madrugada,
Desfez-se a janela.
Partiram , com ela,
As sombras do nada.

Cecília Meireles

SEGREDO


Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa
Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar


Maria Teresa Horta

Mira-te pelo calendário da flores
Que são só viço e esquecimento.
Desprende-te dos ofícios do dia,
Apaga os números, os anos e anos,
Releva a data de teu nascimento.
E assim, por tão leve sendo,
Por tão de ti isento,
De uma quase não resistência de pluma,
Abraça o momento,
Te apruma,
Tome por bagagem os sonhos
E apanha carona no vento.

Fernando Campanella

Bom diaaaaaaaa


sábado, 1 de agosto de 2009

Oh Chiquérrima Deusa do Desencalhe,


Vós que sois a solução de todas as encalhadas,
Intercedei junto ao destino e não nos deixei ficar para titia.
Muito menos para tia-avó.


.Oh grande batalhadora das baladas, reuniões e festas,
Concedei-me esta graça:
(diga em voz alta) UM MARIDO,
(mais alto) UM MARIDO,
(grite) UM MARIDO.
E que ele nunca tenha olhos para qualquer baranga ou mal amada.


.Ajudai-me a conquistar um bom partido.
E afastai de mim os galinhas e os sem dinheiro.
Atendei ao meu pedido com urgência.
Serei grata pelo resto da minha vida
E levarei seu nome a todas que tenham fé!


Aleluia, Aleluia, Aleluia

Cachorradas


- Você sabe por que o cachorro entra na Igreja?
- Ora, essa quem não acerta?
Porque a porta estava aberta!


- E você sabe por que ele sai?
- Porque a porta estava aberta.
- Não, errou: porque ele entrou!


- E quando é que o cachorro não pode entrar?
- Quando a porta está fechada.
- Que nada! Quando já está lá dentro.


- E para terminar: sabe por que o cachorro
ergue a perninha e a encosta no poste
quando está necessitado?


- É porque uma vez o poste caiu em cima do coitado!


José Paulo Paes