Entre Fadas e Borboletas circulamos. Neste movimento transitório, inalterável, percorremos. Entre mistérios e paraísos lilases equilibramos. Entre matizes rosas e azuis voamos. E nos canteiros perfumados cultivamos. As flores mais lindas colhemos. Rosas vermelhas ou brancas exalamos. E nas manhãs de verão, nos amamos. (Paty Padilha)
segunda-feira, 20 de abril de 2009
sábado, 18 de abril de 2009
Boa noite e bons sonhos!


Em colcha florida
Me deitei.
Pássaros pintados
Escutei.
Grinaldas nos ares
Contemplei.
Da morte e da vida
Me lembrei.
Dias acabados
Lamentei.
(Flores singulares
Não bordei.
A canção trazida
Não cantei.
Naveguei tormentas pelos quatro lados.
Não as amansei!
Ó grinaldas, flores, pássaros pintados,
Como dormirei?)
Cecília Meireles

A Bagagem do Poeta


Um poeta arruma a bagagem:
O circo que carrega desde
A mais longínqua infância.
Com sua lona furada,
Por onde choviam estrelas cadentes.
Dentro da maleta
Uma bailarina e três segredos,
Guardados
No fundo da sapatilha esgarçada;
O mago e o dicionário de palavras
Mágicas, quase inexistentes;
Um acrobata e a escada do vento
Para subir nos telhados
E colher vagalumes.
Roseana Murray
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Feliz fim de semana!

Cartas imaginárias
Rita Apoena
Querida Teresinha,
Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nas pessoas ao nosso redor?
E ir deslizando pelos pequenos detalhes, na beleza não manifesta e, ao mesmo tempo, ofuscante? Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nos olhos do outro, sem qualquer pressa, sem procurar ali dentro o próprio reflexo? Foi esses dias, Teresinha, eu aninhei as mãos de minha avó por dentro das minhas, encostando o meu rosto em seus dedos tão frios, como se ela tivesse acabado de nascer em seu corpinho já envergado pelo tempo e marcado pelos dias. Naquele segundo, eu entendi que nada era mais urgente, nem mais importante, do que ouvir a minha avó reaprendendo a falar... e que eu sequer começaria a ver alguém - além de mim mesma - se não pudesse enxergar as pessoas para as quais olhei a vida inteira.
Rita Apoena
Querida Teresinha,
Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nas pessoas ao nosso redor?
E ir deslizando pelos pequenos detalhes, na beleza não manifesta e, ao mesmo tempo, ofuscante? Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nos olhos do outro, sem qualquer pressa, sem procurar ali dentro o próprio reflexo? Foi esses dias, Teresinha, eu aninhei as mãos de minha avó por dentro das minhas, encostando o meu rosto em seus dedos tão frios, como se ela tivesse acabado de nascer em seu corpinho já envergado pelo tempo e marcado pelos dias. Naquele segundo, eu entendi que nada era mais urgente, nem mais importante, do que ouvir a minha avó reaprendendo a falar... e que eu sequer começaria a ver alguém - além de mim mesma - se não pudesse enxergar as pessoas para as quais olhei a vida inteira.
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