quarta-feira, 5 de dezembro de 2007


Deslocando o ar do meu próprio corpo
Levanto a criança que fui,
Desço até o fundo do mar,
Descubro peixes de avião,
Nas varandas do oceano
Inventei o meu amor.

Trazendo o ar para mim
Aspirei todo o prazer,
Em faixas de sons e formas
Dei toda a vida ao meu ser.

Somente com um sopro
Posso criar a desgraça,
trazer para os meus pulmões
A semente de veneno,
E quando a morte chegar

Encontrará um homem
Que respira poesia.
(Murilo Mendes)

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