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sábado, 21 de junho de 2008


"Sabe, eu me perguntava até que ponto
você era aquilo que eu via em você
ou apenas aquilo que eu queria ver em você,
eu queria saber até que ponto você
não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia,
e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você
todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo,
sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas,
e pensava que amar era só conseguir ver,
e desamar era não mais conseguir ver, entende?"


Caio Fernando Abreu

domingo, 1 de junho de 2008


(...)

Eu quis tanto ser a tua paz,
Quis tanto que você fosse o meu encontro.
Quis tanto dar, tanto receber.
Quis precisar, sem exigências.
E sem solicitações, aceitar o que me era dado.
Sem ir além, compreende?
Não queria pedir mais do que você tinha,
Assim como eu não daria mais do que dispunha,
por limitação humana.
Mas o que tinha, era seu.

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 21 de maio de 2008


"... Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce, que seja doce , que seja doce e assim por diante."

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007



"... há um momento do irremediável, como existem
os momentos anteriores de passar adiante tentando
arrancar o espinho da carne. Há o momento em que
o irremediável se torna tangível... eu sei disso, não
queria demonstrar que li algumas coisas e até aprendi
a lidar um pouco com as palavras, apesar de que a
gente nunca aprende... mas aprende dentro dos
limites do possível..."
(Caio Fernando Abreu)