segunda-feira, 2 de junho de 2008

Refazendo


O poema quieto,
Conformado no silêncio
Da folha que o prendia em linhas.
Sem saber como deixar de ser letras
Pousadas ali, tão seletas.

Precipita-se em retalhos
E como pássaros recortados
Antecipa meu olhar no talho.
Meu desejo ousa vôo,
Reconta o sentido
Do verso emissário.

Gira piruetas na folha,
Inventando sentidos
A sua existência de verso.
Num sopro desfaz-se a linha,
Pousando de novo se alinha
No que a mão do poeta continha.

Rachel D.Moraes

Sonetos que não são


Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha.)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.

Hilda Hilst

domingo, 1 de junho de 2008


As feridas da alma são curadas
com carinho, atenção e paz.
(Machado de Assis)

(...)

Eu quis tanto ser a tua paz,
Quis tanto que você fosse o meu encontro.
Quis tanto dar, tanto receber.
Quis precisar, sem exigências.
E sem solicitações, aceitar o que me era dado.
Sem ir além, compreende?
Não queria pedir mais do que você tinha,
Assim como eu não daria mais do que dispunha,
por limitação humana.
Mas o que tinha, era seu.

Caio Fernando Abreu

"Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples."

Manuel Bandeira

Ali...

onde a pequena larva

silenciosamente transformou-se,

descansa uma pequena Fada.


Paty Padilha
Saímos do casulo;


vamos voar



o que faz a borboleta bonita
não é a suas cores,


é a forma que ela bate as asas!



(Hekeslay A. Moser)

Sob as estrelas...

A Fada adormece

embalada por pirilampos.


Paty Padilha
Fada Ruiva,
Fada Amarela,
Fada Azul...
Todas elas
Fazem parte da Divina Aquarela.

(Paty Padilha)