segunda-feira, 7 de setembro de 2009

FORMOSA



Minha formosa menina,
Deste teu amado que se fascina
Leva os tolos sonhos, as vãs fantasias,
As ricas notas e as graves melodias.


Minha formosa princesa,
Primeira flor no paraíso acesa,
A ti entrego, manso, meu corpo torto;
De ti faço meu iniludível porto.


Minha formosa donzela,
Vento sereno e firme em minha vela,
Em ti navegam retos meus suplícios;
Para ti ofereço os meus sacrifícios.


Minha formosa amante,
Para quem nunca serei bastante,
É em ti que habitam meus extravios;
É contigo que preencho meus vazios.


Minha formosa escolhida,
Por minha estrela guia recolhida,
Quero-te bela navegando meu mar;
Quero-te infiel esgotando meu amar.


Oswaldo Antônio Begiato

PASSADO, PRESENTE E FUTURO MADURO


Sou capaz de olhar-te horas a fio
Ouvindo tuas histórias , voz do homem que amo
Circundando tua boca com meu dedo
Pisando de mansinho em tua epiderme

Sou capaz de esperar-te horas a fio
só para que me cubras antes de dormir
só pra te dizer tô com frio
só pra saber que tenho um alguém por quem esperar

Então quando chegas
minha espera vira cigarra cantando,
vaga-lume brilhando e eu saltitando
a ansiedade torna-se possibilidade
de repente uma mulher aceita o que der e vier

É isso que chamo de amor,
e ofereço-te meu futuro maduro
senhor do meu presente e do meu passado

só contigo conjuguei esses tempos em minha vida
O resto, é literatura...

Karla Julia

Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo.
Nunca cheirou uma flor.
Nunca olhou uma estrela.
Nunca amou ninguém.
Nunca fez outra coisa senão somas.
E o dia todo repete:
“Eu sou um homem sério!
Eu sou um homem sério!”
e isso o faz inchar-se de orgulho.
Mas ele não é um homem;
é um cogumelo.

(O pequeno príncipe)

domingo, 6 de setembro de 2009

"Alma Minha"


Minh’alma chora
Tudo que tranquei
Tudo que perdi
Sem ter tido...
Tudo que sofri e morri...
Um pouco a cada dia.
E me vesti de poesia
E não adiantou...
O vento soprou
E te levou!
E minh’alma chora
A ausência da tua...
Alma minha!

(Dú Karmona)

Aparição


E eu acreditei ver a fada
com o chapéu de luz
que outrora nos meus sonhos
de criança mimada passava,
deixando sempre de suas mãos entreabertas
nevar brancos buquês
de estrelas perfumadas.



Stéphane Malarmé


Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas,
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.
Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direcções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem composta pelo vento em sinuosas palmas.
Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz.


António Ramos Rosa

A espera é difícil,
Mas espero cantando...

E quando tudo parece ser,
a gavetinha se abre
cotucando em tudo o SER.
São sentimentos que doem,
uma saudade pungente
das coisa que a gente sente,
da vida por mais viver.
Ânsia do impossível,
quase certo acontecer,
desejo que teria sido,
não fosse o anoitecer.

Algo do inconsciente da alma,
que mesmo calma, procura
horizonte em farrapos afogados
no fogaréu do céu, sem véu.
Me reflete aconchegando, amarfanhando,
no colo do por do sol...do que sou...
A espera é difícil, mas espero cantando.


Gaiô.

era assim:




queres?
queres algo?
queres desejar?
desejas querer?
desejas-me?
desejas querer-me?
queres desejar-me?
queres querer-me?
queres que te deseje?
desejas que te queira?
queres que te queira?
quanto me
queres?
quanto me
desejas? ah quanto te quero
quando te quero
quando me queres...


Ana Hatherly

"À noite eu me deito
Então escuto a mensagem no ar
Vagando entre os astros
Nada me move
Nem me faz parar
A não ser a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei
Nem que seja só para estar ao seu lado
Só pra ler no seu rosto
Uma mensagem de amor."

[ Herbert Vianna ]

Na solidão na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.
Via você no ontem , no hoje, no amanhã…
Mas não via você no momento.
Que saudade…


Mário Quintana

"Cuitelinho"


A tua saudade corta como aço de navaia
O coração fica aflito, bate uma, a outra faia
E os óio se enche d´água
Que até a vista de atrapaia, ai ai.

Paulo Vanzolini / Antônio Xandó


Faça o que é bom
Sinta o que é bom
Pense o que é bom
Bom pra você!

Coma o que é bom
Veja o que é bom
Volte ao que é bom
Bom pra você!

Guarda pro final
Aquele sabor genial
Se é genial pra você!
Tente o que é bom
Permita o que é bom
Descubra o que é bom
Bom pra você!

Então beije o que é bom
Mostre o que é bom
Excite o que é bom
Bom pra você!

Um dia você me conta
Um dia você me apronta
Um resumo
Do supra-sumo do seu prazer

Pense o que é bom
Perceba o que é bom
Decida o que é bom
Pra você

Decida o que é bom pra você!

Zélia Duncan e C. Oyens