domingo, 24 de outubro de 2010

Cartas de amor são escritas não para dar notícias,
não para contar nada, mas para que mãos separadas
se toquem ao tocarem a mesma folha de papel.

Rubem Alves


O verão é um senhor gordo sentado na varanda e reclamando cerveja.
O inverno é um vovozinho tiritante.
O outono, um tio solteirão.
A primavera, em compensação, é uma menina pulando na corda.

Mário Quintana




"Se eu gosto de poesia? Gosto de gente,
bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho,
papos amenos, amizade, amor. Acho que
a poesia está contida nisso tudo."

Carlos Drummond de Andrade


 

BABEL



Todos os dicionários juntos
Não contêm nem metade
Dos termos de que precisaríamos
Para nos entendermos uns aos outros

José Saramago






Aprendi que ao seu lado,
qualquer lugar desse mundo me basta.
E com o seu abraço,
eu consigo ir mais longe,
do que nós dois juntos possamos imaginar...

( Valquiria Cordeiro )

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A tarde desmaia –
Uma canção para a manhã
O pássaro ensaia

Vera M. ( Bubble Queen)

NO SILÊNCIO DOS OLHOS



Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?
Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos

José Saramago

'E guardo num canto escondido, mas tão escondido,
que corro o risco de procurar e não achar.
E quando acho, dói. Mas dói bonito.
Junto com a dor vem uma sensação de alívio por ter vivido.

Cris Guerra

IRONIA



 
Eis aqui os instrumentos
para esculpir a Poesia:
— brincam os anjos e os ventos
(e quem os libertaria?);

todo o céu se reconhece
no espelho onde os ventos pisam,
e a vida se ajoelha, em prece;
ventos e anjos se eternizam

no mármore azul do exílio.
Surge a noite, a luz é escassa
a Praça dorme em exílio,
a Poesia está na Praça.

Colombo de Souza



De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Amor quando é amor não definha
E até o final das eras há de aumentar.
Mas se o que eu digo for erro
E o meu engano for provado
Então eu nunca terei escrito
Ou nunca ninguém terá amado.

Willian Shakespeare