Entre Fadas e Borboletas circulamos. Neste movimento transitório, inalterável, percorremos. Entre mistérios e paraísos lilases equilibramos. Entre matizes rosas e azuis voamos. E nos canteiros perfumados cultivamos. As flores mais lindas colhemos. Rosas vermelhas ou brancas exalamos. E nas manhãs de verão, nos amamos. (Paty Padilha)
domingo, 24 de outubro de 2010
BABEL
Não contêm nem metade
Dos termos de que precisaríamos
Para nos entendermos uns aos outros
José Saramago
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
NO SILÊNCIO DOS OLHOS
Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?
Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos
José Saramago
IRONIA
Eis aqui os instrumentos
para esculpir a Poesia:
— brincam os anjos e os ventos
(e quem os libertaria?);
todo o céu se reconhece
no espelho onde os ventos pisam,
e a vida se ajoelha, em prece;
ventos e anjos se eternizam
no mármore azul do exílio.
Surge a noite, a luz é escassa
a Praça dorme em exílio,
a Poesia está na Praça.
Colombo de Souza
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Amor quando é amor não definha
E até o final das eras há de aumentar.
Mas se o que eu digo for erro
E o meu engano for provado
Então eu nunca terei escrito
Ou nunca ninguém terá amado.
Willian Shakespeare
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