quarta-feira, 12 de dezembro de 2007


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Eu te adoro sim, como adoro o céu noturno,
Ó vaso de tristeza, ó anjo taciturno,
E amo ainda mais quando desapareces,
Ornamento das minhas noites, e pareces
Com tamanha ironia aumentar os espaços
Que, do imenso azul, separam os meus braços.
Eu avanço no ataque, e entro na liça
Como um coro de vermes cercando a carniça
E venero, ó fera cruel, implacável,
Até tua frieza, que acho adorável!
(Baudelaire)

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"Se o seu coração é absoluto e sincero,
você naturalmente se sente satisfeito e confiante,
não tem nenhuma razão para sentir medo dos outros."
(Dalai-Lama)

Mandala


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I

É nos sonhos que habita o improvável
O incógnito que se busca na vida
E nossos atos não possuem o condão das fadas
Nem o atributo do sagrado
São simplesmente falhos

Milagre é o cotidiano apartado de surpresas
Na humanidade, o esquecimento é uma parcela de virtude
É o exagero que os deuses permitiram
Aos eleitos para desfrutar da felicidade

Profanos somos todos nós:
Presos em atalhos de mentiras
Sem as quais nossa existência
Não sustentaria sequer uma verdade
Somos como sarcófagos
Matéria humana preservada para a posteridade
E nossos tesouros estão bem escondidos
Na placidez de almas embotadas
Talvez nunca sejam encontrados.
(...)

(André Pascoal)

Dentro dele tem um menino, com os mesmos olhos de espanto e deslumbre de quem procura mistérios, com essa gana de mundo, com essa fome encantada.
Dentro dele tem um menino, de cabelo revolto, sorriso de sol, pés no chão, corpo salgado de mar, joelho esfolado, gargalhada de pássaro, sono de bicho no meio da tarde.
Dentro dele tem um menino, com cheiro de fruta, mão lambuzada, camisa suja, suor na testa,que canta alto, diz besteira, fica triste e disfarça olhando pro lado, esconde a lágrima com o dedo e limpa o nariz na manga.
Dentro dele tem um menino que se escangalha de rir,tem medo da maldade,se enche de coragem e desafia o perigo, me diz coisas simples daquelas que a gente sonha que sejam verdade, me namora envergonhado de longe e me rouba uma flor,me beija de olhos abertos pra ver se não fujo e fala estranho de amor.
Dentro dele tem um menino, e por fora um homem...
que me faz mulher... e, coloca uma menina dentro de mim...!"
(Tíccia)

Descomplicando a vida – O caminho da simplicidade


“Então de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade.
A vida poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida, uma simples mulher, que mais?
Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava a água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça.”
(Rubem Braga – março de 1953)

“Uma decepção pode diminuir
o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar
o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade:
As pessoas se agigantam e se
encolhem aos nossos olhos.
Nosso julgamento é feito não através
de centímetros e metros, mas de ações e reações,
de expectativas e frustrações.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos
que tornam uma pessoa grande...
... é a sua sensibilidade, sem tamanho!“
(O tamanho das pessoas - Willian Shakespeare)

Não tem preço...


Nada do que queres
Fazer, impeço.
E quando quero algo
De ti, eu peço.
Porém, às vezes, em
Minhas palavras, tropeço.
É que tem horas
Que falo - e não penso.

Na paz... jamais um
Carinho teu, dispenso.
E o teu coração,
Trago no meu, impresso.
E o nosso amor,
Meu amor, não tem preço.
E não é à toa que tenho,
Por ti, o maior apreço.

Se fazes tudo por mim,
É que ainda mereço.
Pois, de te ninar, dengar...
Meu dengo, nunca esqueço.
E quando quero um mimo
Teu, eu apenas peço.
E te deixo sempre à vontade.
Nada do que queres, impeço.
(Marcos Aurélio Mendes)

O inicio de um hábito é como o fio invisível, mas cada vez que o repetimos o ato reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo e nos prende de forma irremediável, no pensamento e ação.
(Orison Marden)

O homem é feito de tal modo que quando alguma coisa incendeia a sua alma, as impossibilidades desaparecem.
(La Fontaine)